na estrada


Essa foi meu amigo jornalista Pablo de Moura quem recuperou.

Noite de rock underground nos calabouços mineiros. Ainda me lembro do óculos estilo Harry Potter e do cabelo repartido que faziam parte da minha indumentária da época. Coisas de garoto quando atravessa a juventude. Juíz de Fora sempre foi rota alternativa para as baladas mais audaciosas da nossa turma da escola. Para quem viveu a adolescência na região serrana do estado do Rio, atravessar a divisa com Minas Gerais era motivo de orgulho. Desta vez retornávamos de uma jornada muito além das cercanias cariocas. Foi a mais de 4 mil km de distância, em Fortaleza, onde acompanhamos a performance do grupo Los Hermanos durante o Ceará Music, festival que reunia muitas das melhoras bandas do país em turnê pelo Nordeste. Quis o destino que, menos de uma semana depois, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante  novamente cruzavam nossos planos. Privilégio de poucos em uma platéia saltitante perto de casa.

Los Hermanos no cultural bar

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Auto-retrato de frente para o Morro do Pico em Fernando de Noronha.

Alguém já viu aquele filme “Na natureza selvagem”? Aquele, do jovem estudante americano que abandona tudo pela busca de uma aventura? Pois bem. O rapaz segue rumo ao norte. Rumo ao Alasca. Caminha por dias, semanas, meses… talvez anos. Faz novos amigos, vive experiências incríveis e acaba traído pelo destino. Levante a mão quem nunca sentiu vontade de sair por aí, sem rumo, em busca do nada, só para ver como é. Tem dias no  trabalho que fazemos um esforço tremendo para não jogar tudo pro alto. Hoje foi um deles. Pura TPF, tensão pré-férias. Acontece com qualquer um. Dias melhores, dias piores, dias de paz, dias a mais. Pensei em outro título holywoodiano: “Um dia de fúria”. Michael Douglas na veia. Puro Rock n’ roll com direito a doses cavalares de cafeína nos intervalos da labuta. Obviamente, não poderia esquecer em um momento como este de Charles Bronson e seu “Desejo de matar”. Por fim, meu time perdeu a invencibilidade no campeonato brasileiro. Na verdade, não foi uma derrota, foi algo humilhante para os padrões rubro-negros. Enfim, meus caros e caras, só o travesseiro me resta. To me sentindo o Raul Cortez da novela da Globo: enjaulado e contando os dias para a fuga deste universo paralelo chamado stress.

Boa noite.

Sabrina faz pose na Cacimba do Padre

mergulho no Sancho
Como prometido, segue um breve relato sobre a recente viagem que fiz à ilha de Fernando de Noronha:

É um destinho que fazia parte do meu imaginário há muito tempo. Desde a época em que trabalhava como produtor de reportagem do programa Globo Ecologia, que almejava o embarque para o arquipélago. Por dezenas de vezes, li a respeito das belezas naturais de Noronha. Conversei horas por telefone com ambientalistas dos projetos Tamar, Baleia Jubarte e Golfinho Rotador. Até amigos na TV Golfinho – a repetidora da Rede Globo na ilha – eu fiz à distância.

No entanto, um aspecto me incomodava: o fator Noronha. Explico; sempre que ouvi relatos sobre o turismo no Brasil, ouvi os mesmos depoimentos “Ah, quando você conhece as praias de Noronha, fica difícil achar outra mais bonita, tamanha a beleza”. Entendo. Apesar de já ter rodado boa parte do litoral brasileiro, confesso que infelizmente ou, felizmente, é isso mesmo que acontece. Sancho, Baía dos Porcos, Cacimba do Padre, Sueste, Cachorro… São tantas praias paradisíacas que fica difícil escolher uma só mas, como este não é o meu perfil, de ficar em cima do muro, escolho a Baía dos Porcos como a mais bela praia que já vi em toda a minha vida. No vídeo abaixo vocês podem opinar a respeito.

Bom, além de paisagens maravilhosas, Noronha também tem um povo muito acolhedor. Em todos os cantos recebemos saudações de boas-vindas, dicas de preservação, conselhos. Todos sabem que a ilha vive da receita do turismo. É muito claro que desenvolver a cordialidade é a melhor alternativa para atrair novos visitantes. Confesso que fico preocupado com o pouco de lixo que vi nas ruas. Não nas praias ou no fundo do mar, mas nas ruas. Talvez, reflexo de um turismo em franca expansão. De qualquer maneira, vale o recado. De resto, a viagem que fiz com minha esposa, Sabrina, foi uma segunda lua-de-mel. No ritmo frenético de passeios, caminhadas, trilhas, degustamos muito a culinária local, como em um festival gastronômico de frutos de mar. Fizemos também amigos. Dois casais: um de Pernambuco (Tiago e Jaqueline) e outro do Rio Grande do Sul (Vinícius e Lúcia).  As novas amizades foram outra boa lembrança do paraíso. Lembrança que carregaremos para a vida, afinal, já encontramos Lúcia e Vinícius numa tarde de Sol no Rio e  marcamos novo encontro para um casamento em Porto Alegre, no próximo sábado. Na foto acima, da esq. pra dir.: Lúcia, eu, Vinícius, Sabrina, Tiago e Jaqueline à espera do pôr-do-sol no mirante do Boldró. Fim de papo. Tudo anotado no diário de bordo e dividido com a platéia aqui no blog. Às vezes, sinto vontade de largar tudo e ficar assim, de pernas pro ar. Apenas curtindo os bons momentos da vida e torcendo para que eles sempre se repitam.

Em breve aqui no blog: textos, fotos e vídeos da viagem  a Fernando de Noronha.  Abaixo, dois dos protagonistas da jornada no melhor estilo easy rider!!Sabrina PetryJosé Brito Cunha

 

 

 

 

 

 

 

passando informações a turistas no bonde

Este aí acima, na foto, é Seu Pedro, chef de cozinha radicado em Lisboa, com quem conversei durante um passeio de bonde em uma manhã de domingo. 

 

– Es de onde?

– Sou do Rio de Janeiro. E o senhor?

– Meu filho, sempre que encontro um brasileiro por aqui, pergunto logo de onde é e fico ansioso pela resposta, mas ninguém é da minha terra.

– De onde o senhor vem?

– Do Recife. Estou aqui há 22 anos e posso lhe dizer que já rodei este mundo.  Passei pelo Canadá, Holanda, Espanha, Inglaterra… trabalhei até em um fábrica de giz nos Estados Unidos. (pausa) Este aqui é o caminho para Alfama, um dos bairros mais bonitos de Lisboa.

– O Castelo de São Jorge fica muito longe?

– Vai chegar daqui a pouco. E estes aí que estão consigo, são legalizados?

– Aquela ali na frente é a minha mulher. Estes são meus amigos. Moram aqui em Lisboa.

– Trabalham com o quê?

– Comunicação. 

– A ié? Muito espertos. Quem não sabe se comunicar não chega a lugar algum. Veja o meu caso: pedi um emprego como auxiliar de estoque e fui parar na cozinha.  (pausa) Olhe, olhe, daqui de cima já deve dá pra ver o castelo. 

– Acha que já podemos descer?

– Não. Ainda não. Só mais um bocadinho, oupa.

– Ok.

– Lisboa é um local muito bom de se viver.

– O senhor não pretende voltar um dia para o Brasil?

– A minha vida agora está aqui. Na verdade, o que restou dela. Estou com 74 anos. (pausa)

– E está muito bem. O sotaque já é português.

(sorrisos…) O meu passatempo aos domingos é pegar o bonde. Posso ficar o dia inteiro aqui sentado. Aproveito pra conversar com quem vem de fora. É bom pra cabeça.

– O senhor mora sozinho?

– Nunca estarei sozinho, meu filho. Olhe ao redor…

 

  E o bonde chegou no castelo.

Estou de passagem por Portugal. Entre um pastel de Belém, um poema do Fernando Pessoa e uma taça de vinho, logo retorno com mais estórias…