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Faço questão de dizer: por mais que não pareça, isso é uma corrida. Cinco km no Aterro do Flamengo sob sol forte e abduzido por uma legião de almas coloridas e destemperadas. Participei da primeira edição da Color Run Brasil. Tempo: 31min 13seg. Fico até agora me perguntando: será que alguém mais levou esta corrida a sério? Creio que não. De qualquer maneira, fica a dica: #corraesejafeliz!

 

Eu tinha três anos de idade, não vi o jogo, mas me lembro com detalhes dessa estória a partir do momento em que descobri a alegria de ser rubro-negro.

Já está na hora de conquistar a América e o mundo novamente.

Vamos Flamengo!

Brasileiro até no nome, ele teve uma trajetória de vida diferente dos demais jogadores de futebol. Embora o sonho de criança seja o mesmo de praticamente todo garoto que nasce no Brasil, quando chegou à juventude fez questão de se formar em medicina antes de continuar a carreira. Essa é apenas uma das fases da vida de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira ou, simplesmente, o Doutor Sócrates. Ex-jogador do Corinthians e da seleção brasileira, ele foi meu entrevistado no dia 19 de julho de 2009.

O bate-papo que tive com Sócrates aconteceu no estádio do Botafogo de Ribeirão Preto-SP. Foi lá que o “doutor” começou a carreira. Na entrevista, Sócrates conta como foi a mudança de Belém do Pará, sua cidade-natal, para o interior de São Paulo. Fala sobre o que considera uma das maiores injustiças do futebol internacional: a eliminação do escrete canarinho da Copa do Mundo de 1982 na Espanha; sobre o uso do “calcanhar” como estilo de jogo. Não mede palavras para opinar sobre o mercado do futebol, que cada vez mais cedo leva nossos jovens talentos para fora do país. Sócrates lembra ainda como foi a Democracia Corintiana, movimento liderado por ele e outros jogadores na década de 80, quando parte do time cobrava participação nas decisões políticas do clube. Detalhe: isso aconteceu em plena ditadura militar e na época em que no Brasil não havia eleições diretas para presidente da república.

Entre outros assuntos, o “magrão” faz uma análise crítica do futebol como instrumento de formação de adolescentes e jovens e como clubes, atletas e governos poderiam colaborar com a inclusão social através do esporte.

A entrevista será reexibida nesta terça  às 22h30 no Canal Futura.

Todos os dias quando saio de casa converso com eles, seja para dar boa tarde, perguntar como anda aquela obra interminável que chega sem avisar na forma de cota extra ou, simplesmente, saber das novidades da vizinhança. O time de porteiros do meu prédio é sensacional! Só craque. Outro dia, trocando prosa com um deles, o Assis – tricolor dos mais fanáticos que conheço – descobri que internet e rede social também fazem parte da rotina da turma da guarita. Alguns são mais tímidos, outros extravagantes, mas todos esbanjam simpatia. Cordialidade não falta. E o melhor, entendem como poucos do bom e velho esporte que o brasileiro gosta. Falar de futebol é uma arte. Dizem por aí que existem três categorias dos entendidos no assunto: porteiros, garçons e motoristas. Pelos colegas da portaria garanto sucesso na crítica. Concordar ou descordar do jogo do fim de semana não importa. O que vale é parar ali por alguns minutos e debater sobre a peleja, o campeonato, as baladas dos jogadores pela noite da Barra da Tijuca. Todo mundo sabe do riscado um pouco. Entre botafoguenses, vascaínos, tricolores e rubro-negros nunca haverá consenso. Fato que se repete ao amanhecer, entardecer ou na madruga.

Salva a classe boa de bola e de conversa fiada sobre futebol.

Noves rodadas para o fim do Brasileirão e não acredito existir um matemático de plantão capaz de prever as chances de título entre os seis – ou com muita reza braba – oito primeiros colocados. Esse talvez será o campeonato com o menor número de pontos concedidos ao vencedor. O Flamengo conseguiu a proeza de passar incríveis 10 partidas sem alcançar uma vitória, umazinha, mísera sequer. Feito inédito para um clube com 116 anos de história. E mesmo assim está embolado com Fluminense, São Paulo, Botafogo, Vasco e Corinthians. Inacreditável! Palmeiras e Internacional correm por fora, mas a meu ver, sem grandes pretensões além de um digno final de campeonato.

Voltemos ao rubro-negro. Tabela difícil pela frente. Jogos decisivos com times que estão buscando um lugar ao Sol, mesmo que seja para se safar do inferno da Segundona. O primeiro embate é sábado em Fortaleza. O adversário carrega no peito a faixa de quem acabou com a invencibilidade do Fla em 2011 e, de quebra, sepultou nossas chances na Copa do Brasil. Maldita carroça desembestada!! Vida que segue. O que é do Ceará tá guardado, com juros e correção monetária. Vamos com tudo rumo a mais três pontos.

Avante Mengo!

Me lembro até hoje da sensação de aperto atrás das orelhas causada pelas hastes de metal dobráveis dos óculos com 4 graus de hipermetropia que uso desde os 6 anos de idade. Com ele dei meus primeiros dribles no campinho da escola em Petrópolis. O cheiro das hortências enfileiradas naquele momento sublime traz à lembrança a casa da minha avó Maíta. Lugar tranquilo, cercado por cachorros e pássaros desde os idos de 1900 e alguma coisa. Torcedora do Flamengo das mais fervorosas, conseguiu driblar com extrema categoria o sangue tricolor do marido para passar aos dois filhos homens, entre eles, meu pai, a paixão pelo Flamengo. Não, meus senhores. Não, minhas senhoras. Esta não é uma história do rubro-negro da Gávea. Trata-se de algo mais intenso, pelo menos para mim. A julgar pelo corte de cabelo – obra de um psicopata das tesouras, mero aprendiz do oficio ou ainda alguém que estava de papo pro ar quando cortava minha franja –  dá pra imaginar a tensão que se fazia presente. O ano era de 1986. Cerimônia de entrega do Brasileirão. Bom, prefiro chamar assim para dar mais pompa ao evento. Categoria: fraldinha. Prêmio: destaque do campeonato. Destino: jornalista. Ah, sempre falei pra mamãe sobre aquele pensamento do Pica-pau [Mulheres, mansões, carros, iates, viagens…] tudo isso bem que poderia ter se tornado realidade se minha carreira nos gramados não tivesse sido abreviada pelos bancos da escola, afinal de contas, naquele momento eu estava no auge.

Este era o escrete alvi-negro do Petropolitano Futebol Clube. Time que defendi nas categorias de base dos 11 aos 14 anos. Melhor posição no torneio municipal foi um segundo lugar. Derrota para o Serrano nas finais. Pura falta de sorte. Por falar em falta, na falta do uniforme oficial, jogávamos com a camisa do Atlético Mineiro, que era parecida. Sem mais explicações. Coisas de escolinhas de futebol. Os treinos eram aos sábados pela manhã e às quartas depois da escola. Jogos oficiais aos domingos com a molecada entupindo uma kombi e os pais seguindo o comboio pelas periferias da cidade imperial. As conversas no trajeto para o campo adversário eram sobre os episódios de Armação Ilimitada, seriado global estrelado por Juba, Lula, Bacana, Zelda Scoth e, claro, o chefe, grande personagem interpretado pelo impagável Francisco Milani. Jogava com a 8. Meia armador. Tinha a missão de bater os pênaltis nos jogos, responsabilidade só colocada à prova uma única vez: com a bola na rede, obviamente. De resto, esta foi uma das melhores fases da minha carreira futebolística onde a peleja era mais importante do que nota em prova de matemática.

De pé: O comandante Cizo (nome lembrado por meu pai, que tem uma memória melhor que a minha), Marcos, Peixoto, Guto, Fred, Renato, Silas e Rafael. Agachados: Crespo, eu, Hingo, Bruno e Pedro (meu irmão).

Bons tempos.

Fla de novo em uma final. Fato recorrente que não me faz acreditar ne evolução do time, mas confirma poder de chegada do rubro-negro. Ronaldinho Gaúcho ainda não deu o ar da graça. Começou com mais empolgação do que futebol, a ponto de revelar seu lado violento em muitas bolas divididas. Parece que alguém teve uma conversa ao pé do ouvido do craque e resolveu, por hora, o problema “de freio” para evitar contusões nos adversários. Gols só de bola parada. Uma vergonha para quem ganhou destaque na carreira com arrancadas e dribles desconcertantes. Destaque mesmo é o ex-tricolor-dançarino-do-créu-arrependido Thiago Neves. Este sim, cada vez mais se firma no escrete da Gávea e vem demonstrando vigor na virada de casaca. Vontade e talento, somados a um bom poder de marcação e visão de jogo. Só é mau batedor de penalidades. Êta trauma que resiste desde a final da Libertadores do Flu contra a LDU em 2008.

Falta ainda um matador. Problema crônico que ganha contornos dramáticos com a chegada do Brasileirão. Hoje à noite, contra o fortíssimo Horizonte-CE há a obrigação de vencer e convencer. Enfrentar o Vasco no final de semana com auto-estima elevada é fundamental para sepultar de vez mais uma tentativa cruzmaltina de abocanhar o caneco. Detalhe: o time da colina é o que melhor soube aproveitar – por incrível que pareça – a pré-temporada que se transformou esse Campeonato Carioca. Passado o fiasco do primeiro turno, que lembrou e muito o naufrágio para a segundona, o Vasco chega com força e elenco para uma decisão que há muito não via. Pena que é contra o Flamengo, time que por tradição sapeca o rival em finais. A ver!

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