documentário


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Todo estudante de cinema-documentário já viu esse filme. É chover no molhado. Nanook é, sim, uma referência quando se discute a ética de qualquer narrativa. Vi e revi este doc tantas vezes que já não importa até que ponto o autor forjou ou não cenas da vida real. Mas e daí? Ao escolher um tema para ser retratado em vídeo ou película, o documentarista já tomou partido. Já tem uma opinião formada sobre determinado assunto e deseja, na maioria das vezes, tornar público o seu olhar sobre aquele assunto. Pois bem, o que fazer, então, na hora de selecionar os planos e personagens daquela estória? Escolher os enquadramentos? As sequencias? Dar mais ou menos espaço para um personagem. A simples opção por este ou aquele entrevistado pode ser parcial e decisiva no resultado final da obra. Deixar de conversar com algum representante contrário àquilo que se propõe ser narrado pode, da mesma maneira, se transformar em um tiro no pé do autor.  Por isso as escolhas terão, quase sempre, 50% por cento de chances de dar certo. Mas o que, de fato, é certo ou errado quando se faz um registro documental? O que é verdade ou mentira na tela grande? Imagine quantos cinegrafistas, fotógrafos, repórteres ou documentaristas já enfrentaram o dilema de salvar uma vítima ou retratar a cena. Até que ponto o ser-humano é sensível ou não aos fatos na sua frente? Quando é o momento de desligar a câmera em algo que se diz ser documentário? Será que não nos resta nada além de saber dosar a medida certa para permitir que um relato seja fiel à realidade? Não sei. São muitas perguntas e não imagino aqui ter respostas. O importante é refletir. Só sei que o ponto de vista sobre alguma coisa é, simplesmente, a vista de um ponto. É preciso se afastar para enxergar melhor. E esse ponto de observação sempre será plural e democrático. Cada um tem o seu. O  Robert Flahyert, autor do que é considerado o primórdio do documentário, tinha o dele.

e a justiça social ficou mais distante do povo brasileiro.

Com a palavra, o senador.

Esta semana o Jornal Futura está fora do ar. É tempo de planejar o segundo semestre e voltar com novidades a partir do dia 18 de julho. Entre debates e conversas sobre jornalismo literário e modelos alternativos aos estilos convencionais para contar estórias, deixo aqui no blog dos trechos de documentários dos quais gosto muito. O primeiro deles é “ABC da greve”. O outro, “Entreatos”. Ambos abordam a trajetória do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ao poder. Aos que apreciam a arte de documentar cenas reais em meio aos fatos que mudam a cada segundo, ocasionando novos rumos naquela estória, vale conferir.

Estou assistindo pela segunda vez Jardineiro Fiel na TV. Filme pesado, tenso, que nos faz refletir a cada segundo sobre as desigualdades latentes pelos quatro cantos do planeta e a crueldade imposta pelos interesses das indústrias farmacêuticas e de armas. África, continente de extremos: extrema beleza natural, extrema pobreza, extrema vontade de perseguir um futuro melhor para milhões de pessoas abandonadas `a própria sorte. Esta semana o Futura exibe uma série de documentários no programa Sala de Notícias preparados pelo Media Storm, estúdio de fotografia que produz curtas e longas-metragens onde a narrativa visual se dá pela imagem congelada. Para os amantes do frame, uma bela oportunidade  de ver como uma obra pode ser construída e amarrada a partir de bons fotogramas. Os docs falam de assuntos diversos: tráfico de animais, migração, amor em primeira pessoa, Aids entre outros temas. Vale conferir durante as tardes 14h35 ou pela noite, 23h30.

Enquanto isso, segue abaixo um trecho do doc de George Steinmetz, fotógrafo autor de African Air.

http://mediastorm.com/publication/african-air

Alô documentaristas e amantes do cine nacional!!

Compartilho com vocês o convite que recebi de Adelina Novaes e Cruz, cinéfila de plantão e grande figura do CPDOC – Fundação Getúlio Vargas. Grandes obras do cinema brasileiro em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. No palco, mestres da sétima arte trocando em miúdos os rumos do mercado audiovisual tupiniquim, entre eles Consuelo Lins, José Carlos Avelar e Hernani Heffner.

26 de abril | Terça-feira
SALA 1
13h30 | Redentor, de Cláudio Torres (12 anos) – 95 min
16h00 | Baixio das Bestas, de Cláudio Assis (18 anos) – 82 min
18h00 | O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla (Livre) – 80 min
20h00 | Debate QUE PAÍS É ESSE?
             ANDREA ORMOND
             JOSÉ CARLOS AVELLAR

27 de abril | Quarta-feira
SALA 1
13h30 | 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira (Livre) – 127 min
16h00 | Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (12 anos) – 92 min
18h00 | Madame Satã, de Karim Aïnouz (16 anos) – 105 min
20h00 | Debate PARA ONDE VÃO NOSSOS HERÓIS?
             HERNANI HEFFNER
             MARIANA BALTAR

28 de abril | Quinta-feira
SALA 1
13h30 | Tropa de Elite, de José Padilha (16 anos) – 118 min
16h00 | Dias de Nietzsche em Turim, de Julio Bressane (14 anos) – 85 min
18h00 | Eu Me Lembro, de Edgard Navarro (16 anos) – 95 min
20h00 | Debate SUBJETIVIDADE: MODO OU MODA?
             PAULA SIBILIA
             CONSUELO LINS

29 de abril | Sexta-feira
SALA 1
13h30 | Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (16 anos) – 130 min
16h00 | Cinema,  Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes (14 anos) – 99 min
18h00 | A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande (14 anos) – 100 min
20h00 | Debate QUAIS IMAGENS DO BRASIL LÁ FORA?
             TUNICO AMÂNCIO
             PEDRO BUTCHER

30 de abril | Sábado
SALA 1
16h00 | 5X Favela – Agora por Nós Mesmos, de Cacau Amaral – 96 min
18h00 | O Invasor, de Beto Brant (18 anos) – 87 min
20h00 | Debate O OUTRO: TEMER, TOLERAR OU CONHECER?
             IVANA BENTES
             LUIS ALBERTO ROCHA MELO

SALA 2
12h00 | Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Cláudio Manoel – 98 min
14h00 | Santiago, de João Moreira Salles (Livre) – 80 min
16h00 | Corumbiara, de Vincent Carelli (12 anos) – 117 min
18h00 | À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel (Livre) – 72 min

01 de maio | Domingo
SALA 1
16h00 | Quanto Vale ou É Por Quilo?, de Sérgio Bianchi (14 anos) – 104 min
18h00 | Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima (14 anos) – 107 min
20h00 | O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer (10 anos) – 90 min

SALA 2
12h00 | Nome Próprio, de Murilo Salles (18 anos) – 130 min
14h15 | Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito, de Glauber Filho e Joe Pimentel (Livre) – 88 min
16h00 | Quase Dois Irmãos, de Lucia Murat (16 anos) – 102 min
18h00 | Estômago, de Marcos Jorge (16 anos) – 112 min
20h00 | Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader (10 anos) – 83 min

* A programação vai até o dia 8 de maio no CCBB.

Rua primeiro de março, 66 – Centro – Rio de Janeiro.

www.bb.com.br

Assisti há pouco ao filme Lixo extradordinário e me lembrei desta foto tirada às margens do Canal de Marapendi, quando passeava com meu cachorro numa manhã qualquer. Impossível não se irritar com o desleixo e a falta de educação de todos ao encontrar um manguezal degradado. Impossível também não se emocionar com a realidade e bravura dos catadores de Jardim Gramacho. Realidade que já tive a chance de relatar por algumas vezes gravando reportagens para o Globo Ecologia e o Jornal Futura. Independentemente de ser canditado ao Oscar, o longa já cumpriu seu papel de levar ao público do mundo inteiro uma mensagem que precisa ser  entendida de uma vez por todas: somos responsáveis pela geração de lixo e, principalmente, pelo reaproveitamento de resíduos.

Vik Muniz afirma durante o documentário já ter conquistado praticamente tudo na vida e que a partir de agora se envolveria cada vez mais em projetos como este, com retorno social aos envolvidos na obra. Um deles, talvez o principal, é Tião Santos, presidente da Associação dos Catadores de Jardim Gramacho. Militante da reciclagem como alternativa de renda aos mais de dois mil e quinhentos catadores da região, ele transita do choro ao riso com categoria no filme.  E mais do que isso: carrega a bandeira de que estamos diante do melhor momento para organização de um pólo de reciclagem modelo no terreno onde o aterro está localizado e que será fechado a partir de 2012.

É o seguinte: 19 não é 20 e 99 não é 100. Frase dita e repetida por um dos catadores retratados no filme e que representa muito bem a determinação daquele povo.

www.wasteland.com

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