Anda, para, Anda, para… rotina entediante que parece não ter fim. Pouco mais de 15 km de distância separam meu travesseiro da cadeira da redação. Trajeto que, sem trânsito, poderia ser feito em 20 minutos. Doce ilusão. A obra do metrô que ligará a Zona Sul à Zona Oeste deve ficar pronta antes do apito final da Copa 2014. Não creio. Acho mais fácil a Argentina ser campeã em solo tupiniquim com dois gols do Messi na partida decisiva do que o Rio de Janeiro ter um transporte público de qualidade. Sem alternativa, pego o volante. Antes de pagar a penitência, um respiro profundo, afinal, cá entre nós, parece pecado percorrer o trajeto Barra da Tijuca-Centro em dia de semana. Dou um tapa no acelerador e logo aperto o botão do rádio para fazer novos amigos. Ar condicionado ligado, vamos em frente. Na companhia de Milton Young procuro organizar meu pensamento e rir por breves segundos das mazelas da vida. No comando das carrapetas ele me traz as notícias fresquinhas. Para o alto e avante. Genílson Araújo dá o alerta e me faz lembrar o quanto estou ferrado. Péssimas condições, diz o gordinho vascaíno rasgando o céu carioca. Para quem sai da Barra, o melhor é… não sair de casa. Essa foi boa. Novidade, penso eu. Toda vez é assim. Ligo a seta e tento espaço à esquerda. Motos enfileiradas me avisam: nem tente. Troco a estação. O megafone de Ricardo Boechat é inconfundível. Porrada neles! Rio mais um pouco quando percebo que avancei 200 metros. Vem Leandro Lacerda com os destaques da rodada do fim de semana. O Flamengo ganhou. Quero ouvir a crônica esportiva. Chega Maurício Martins com os comentários dos ouvintes. Fulano no twitter reclama da falta de luz, cicrano pelo facebook avisa que tá tudo parado na Radial Oeste. Vida que segue. Patrícia Madeira me traz um pouco de alegria com a previsão do tempo. Coisa breve. Sol na segunda-feira e frente fria para o final de semana. Que gelada. Lúcia Hipólito dá aquele bom dia detalhista chamando a participação dos repórteres na rua. Lá vem a Hermelinda Rita e as condições das barcas, aeroportos, trens e metrô. Lembro-me do bom e velho ditado popular: tá no inferno, abraça o capeta. Esse é o destino. Entre um intervalo e outro ouço o reacionário, quer dizer, o Jabor. Viva a revolución!! Aprendo que não sei investir no tesouro direto com Mauro Halferd (nunca soube falar, quanto mais escrever o sobrenome desse cara), presto atenção nas orientações de comportamento empresarial do Max Geringuer e, quando começo a rir com a Hora de Expediente, entro no túnel. Dois minutos de silêncio. Algo de raro valor nos dias de hoje. Vem o José Simão e a galhofa forçada. Rodolfo Schneider puxa tanto o ar para falar no rádio que parece à beira da morte por asfixia. Tem futuro. Olho no retrovisor e vejo dezenas de cornos como eu. Desgraça pouca é bobagem. Tem muito mais gente atrasada para o trabalho. Cony, Xexéo e Vivi dão liberdade à expressão. Chego na Lagoa. Curto por alguns instantes a turma da geração saúde. Ponta de inveja. Ah, já ia me esquecendo. Próximo ao Parque dos Patins uma montanha de candidatos a novos motoqueiros se apertam para fazer teste de pilotagem. Não tem jeito, penso. A vida é para quem anda de moto. Será? Tomara que não. Será o fim. Fim da viagem, mas não da paixão pelo jeito extrovertido de fazer rádio.