ROTINA DA  TARDE: Meio dia. Coração acelerado, telefones tocam, sobe e desce pelas escadas, corta essa imagem, será que vai dar tempo? Tudo é novidade na vida de um editor. De certo só a corrida contra o relógio para colocar mais uma edição de um telejornal no ar. Confinados em um aquário esmeraldino, são cerca de 30 os escolhidos para a missão. Entre pobres mortais, técnicos, editores, estagiários e jornalistas  convivem intensamente à frente do mesmo departamento. É, sem dúvida, uma droga alucinógena. Viciante. Fazer notícia é algo fulgaz, algo que me faz entender parte do meu papel no mundo e acreditar que durante todas as tardes que estou ali, estou pronto pra passar adiante uma informação. Criticar é entender e só o fazemos quando acumulamos conhecimento. Vida de jornalista é assim, sempre desvendando um mundo novo que não conhecíamos antes de sair de casa para mais um dia de trabalho.  Minha mesa é central. Como se não soubesse da responsabilidade de estar no olho do furacão, permaneço às vezes inerte ao frenezi.  Poder de concentração, mas com o pé do ouvido atento às mudanças de rumo dos acontecimentos. O rumo sempre muda, mas estou no controle. Dois passos à esquerda e reuinão no corredor. Volto logo. Na tela do computador, janelas abertas e milhares de informações prontinhas pra serem digeridas. Páginas de jornais, blogs, textos, vídeos e redes sociais. Tudo representa novas fontes de investigação. Com quem queremos falar? Quando? Onde? Por quê?  Está tudo ali, empacotado pra viagem. Ariano, não tenho a paciência como virtude, mas faço dela uma aliada pra desacelerar quando preciso. Quem tem prazo tem tempo, já dizia um sábio colega de profissão. Meio da tarde. Almoço. Pausa para o café. Impressionante como passei a beber mais café. São pelo menos dois por dia. Quatro horas. Maquiagem. Mais cinco minutos e estou pronto para entrar no estúdio. Última revisão. Pré-entrevista com o convidado. Um gole d´água só pra lubrificar a garganta. Fecho os olhos. Luz, câmera, ao vivo e vamos lá.

 

Continua…