Assisti há pouco ao filme Lixo extradordinário e me lembrei desta foto tirada às margens do Canal de Marapendi, quando passeava com meu cachorro numa manhã qualquer. Impossível não se irritar com o desleixo e a falta de educação de todos ao encontrar um manguezal degradado. Impossível também não se emocionar com a realidade e bravura dos catadores de Jardim Gramacho. Realidade que já tive a chance de relatar por algumas vezes gravando reportagens para o Globo Ecologia e o Jornal Futura. Independentemente de ser canditado ao Oscar, o longa já cumpriu seu papel de levar ao público do mundo inteiro uma mensagem que precisa ser  entendida de uma vez por todas: somos responsáveis pela geração de lixo e, principalmente, pelo reaproveitamento de resíduos.

Vik Muniz afirma durante o documentário já ter conquistado praticamente tudo na vida e que a partir de agora se envolveria cada vez mais em projetos como este, com retorno social aos envolvidos na obra. Um deles, talvez o principal, é Tião Santos, presidente da Associação dos Catadores de Jardim Gramacho. Militante da reciclagem como alternativa de renda aos mais de dois mil e quinhentos catadores da região, ele transita do choro ao riso com categoria no filme.  E mais do que isso: carrega a bandeira de que estamos diante do melhor momento para organização de um pólo de reciclagem modelo no terreno onde o aterro está localizado e que será fechado a partir de 2012.

É o seguinte: 19 não é 20 e 99 não é 100. Frase dita e repetida por um dos catadores retratados no filme e que representa muito bem a determinação daquele povo.

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