– Não vai passar.

Foi assim que tudo começou na minha recente jornada pela Serra da Bocaina. Sentada no banco do carona, Sabrina havia alertado que a lama na estrada era suficiente para atolar nosso possante. Como caldo de galinha e prudência não fazem mal a nenhum aventureiro de primeira viagem, não seríamos nós que iríamos arriscar.

Pronto. Metade do problema resolvido. Carro preservado, restava saber como atravessaríamos famoso obstáculo natural formado após uma noite chuvosa. Estávamos no município de São José do Barreiro, a poucos quilômetros da rodovia Presidente Dutra, perto da cidade de Barra Mansa. O relógio corria, mas para os que vivem no campo, o tempo parece passar mais devagar. Não existe pressa. Daqui a pouco alguém oferece ajuda. No nosso caso o socorro chegou a cavalo, literalmente. Montado numa das éguas da Fazenda do Bonito, Pedrinho estava de prosa à beira da estrada de terra batida. Reconheci a cavalaria e logo debatemos nova estratégia. Enquanto a tropa seguia morro acima, eu, Sabrina e nosso labrador, Farofa, aguardaríamos uma caminhonete do comerciante Vana, que conhece bem a região e está sempre a postos para ajudar os desbravadores.

Todos na caçamba e o off road começou. Como em um liquidificador preparando uma vitamina de abacate, sacudíamos a torto e a direito. Vida que segue… segue cheia de barro. Duas léguas depois, lá estava Pedrinho em um ponto da estrada conhecido como Pedreira. Pedrinho estava na pedreira em meio a pedras no meio do caminho. (parece ditato popular, mas não assino embaixo).

Mais adiante, já montados nos nossos alazões, seguimos o trajeto dos tropeiros do início do século XIX. Belas paisagens, pouco fluxo de migrantes e só pra não dizer que não encontramos ninguém, cruzamos com um grupo de motocross, dois cachorros e uma família voltando para cidade baixa.

Já passava das três da tarde quando atravessamos a última porteira de acesso a Fazenda. Missão cumprida. Almoço no fogão à lenha, doces caseiros, duas xícaras de café e um breve descanso na varanda com vista para o pasto de araucárias. Tudo o que aconteceu daí pra frente é estória que ainda precisa ser contada em outro relato. Dois pequenos exemplos dos prazeres da vida rústica da Bocaina são: joaninhas em fúria atacando uma framboesa no campo e o ninho de andorinhas escondido no muro dos fundos da casa.

 Até!