São 5h da manhã,  Zé Mero toma o último gole do café e sai para mais um dia de trabalho. Aos 48 anos, pai de cinco filhos e seis netos, o chefe de família José Pereira dos Santos faz parte de mais uma geração de pescadores que vivem dos recursos do mar ao Sul do estado onde o Brasil foi descoberto pelas naus e caravelas de Cabral.

Caminhando pela areia, na companhia dos amigos Nuca e Domingos, também pescadores, o trio observa os primeiros raios solares refletirem sobre a imensidão do oceano Atlântico. Mais à frente, pequenas hastes de madeira ocupam uma faixa de 50 metros entre a linha d´água e a vegetação de restinga da praia do Forte, em Salvador. São pontos de identificação dos locais de desova de tartarugas marinhas. Há trinta anos, um grupo de pesquisadores, liderados pelos oceanógrafos Guy e Neca Marcovaldi, iniciou o trabalho de monitoramento das cinco espécies de tartarugas marinhas que habitam o litoral brasileiro entre setembro e março, no continente, e de dezembro a junho, nas ilhas oceânicas. Surgia o projeto Tamar. “Por causa do Tamar o turismo cresceu muito e valorizou o preço do pescado. Agora estamos felizes. No início a gente desconfiava. Achava que os pesquisadores queriam proibir a nossa atividade, mas não era isso. Era informação. Hoje, trabalhamos todos juntos”, afirma Zé Mero.

A parceria entre pesquisa e pesca foi fundamental para o sucesso de um dos projetos de preservação ambiental mais bem sucedidos da história recente do Brasil. Patrocinado pela Petrobras desde 1982, o Tamar possui 22 estações de proteção em mais de mil quilômetros de costa. Em 30 anos, quase 10 milhões de filhotes foram protegidos e liberados ao mar. O projeto desenvolve ainda, em conjunto com os pescadores, pesquisas para a substituição de anzóis por modelos menos agressivos às tartarugas marinhas…

 

O texto acima é apenas um trechinho do artigo que escrevi há pouco tempo para a revista Terra da Gente .

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