E o bom velhinho tardou, mas não falhou. Papai Noel não se esqueceu da Gávea este ano. O Fla começou o ano com o título brasileiro a ser defendido e caminhou, a duras penas, por um terreno tortuoso que o levou às páginas policiais durante boa parte do ano. Findo o período de turbulência – que trouxe à tona capítulos vexaminosos como o fatídico episódio do goleiro Bruno e do ex-chefe de torcida organizada praticamente expulsando o maior ídolo que o Fla já teve da gestão do futebol – a vaga na Sulamericana veio à calhar. Pior para o Goiás. Desceu a ladeira e perdeu o fôlego nas mãos de um juíz mal-intencionado na Argentina. Em 2011 serão quatro competições para o Fla: Carioca, Copa do Brasil, Brasileiro e Sulamericana. Três delas avistam a Taça Libertadores, torneio tão sonhado por todos os clubes do continente, alguns deles o frequentam com mais assiduidade que o rubro-negro do Rio.

Acho que Luxemburgo sentiu na pele o gosto amargo de um ano difícil, afinal, foi sob o comando dele que dois dos maiores clubes deste país, um de Minas Gerais e outro do Rio, bateram à porta da Segundona. Ficou no quase, mas a prova é que o velho Luxa precisa, como outros treinadores, se reciclar. Precisa encontrar novas maneiras de fazer o brasileiro jogar bonito. Chega de volantes cabeçudos e laterais mais tímidos e burocratas do que um estagiário de cartório. Diogo e Deivid chegaram como sauvadores da pátria e terminam o ano como tantos outros. Um saindo e outro… bom, o outro sem dizer a que veio. Como disse, é tempo de renovação. Este grupo formado desde 2006 conquistou de tudo, Copa do Brasil, tri-carioca, Brasileiro. Tá de bom tamanho e na hora de investir em novos nomes como o lateral Galhardo e o meio-campista Camacho. Precisamos de um goleiro experiente. Lomba, a meu ver, segurou a peteca em muitos momentos, mais entregou a rapadura em outros tantos. Angelin e Juan também estão de malas prontas. Bons serviços prestados, obrigado e adeus!! E o Pet? Outro que entrou para a galeria de ídolos, repito, ídolos do clube e merece todo o respeito. No entanto, merece respeito e não mais vaga no time. Leo Moura acho que pode ficar. Conquistou o posto de capitão e pode ter um bom ano. Willians… bom o Willians é um monstro e merece ser lapidado. O perigo é o carvão continuar carvão e jamais virar diamante.

Vamos em frente!! O centro de treinamento em Vargem Grande parece sair, finalmente, do papel. Ainda são tímidas, como a alma do estagiário, as instalações do CT, mas acredito ser este o caminho mais rápido para o sucesso das futuras gerações. Futebol não é justo, por isso é apaixonante. Fla e Flu conquistaram o Brasil nos últimos dois anos e não têm a estrutura de paulistas, gaúchos e mineiros. Confesso, no entanto, preferir o profissionalismo dos vizinhos à quantidade de conselheiros que imperram o avanço do clube da Gávea.  

O pay per view já foi renovado. Confesso que tenho preguiça de frequentar o Engenhão da mesma maneira que subia as arquibancadas do Mário Filho. Pausa rápida para os festejos desta época do ano e daqui a pouco mais de um mês a bola rola novamente para encher os botecos de palpites espetaculares e discussões eloquentes, ingredientes fundamentais para o sucesso do esporte bretão. Meu fiel escudeiro, o labrador boa praça “Farofa”, concorda comigo.