Nasci no interior. Cheguei à cidade grande em busca de estudo e emprego. Descendo a serra de Petrópolis em meados da década de 90 encontrei no Rio de Janeiro um refúgio para crescer profissionalmente e constituir família. Sou feliz, confesso. No entanto, por mais que esteja acostumado à violência urbana pelo ofício de jornalista, fiquei estarrecido com tudo que aconteceu ao longo desta última semana. Fico impressionado também com a capacidade da mídia em transformar em espetáculo a desgraça alheia. Acredito que a informação deve sim chegar à sociedade para permitir que todos opinem a respeito de um determinado tema, mas a massificação da tragédia com o único objetivo de prender a audiência dos telespectadores e chamar anunciantes me incomoda e muito.

Vamos em frente, torcendo por dias melhores e serviços para todos. Como li na capa de jornais hoje pela manhã: “O Rio mostrou que é possível” e “A conquista da ordem e à espera do progresso”. Que venham serviços como saneamento, pacotes de TV a cabo promocionais, luz para todos, fornecimento de água e gás mais justos e não controlados por nenhuma milícia ou facção criminosa, áreas de lazer para prática de esporte, centros médicos, escolas, creches… enfim, um pouco de tudo que todos precisam para se desenvolver com oportunidades e dignidade.

Deixo com vocês a paisagem tranquila de um domingo na Lagoa Rodrigo de Freitas. Tranquilidade que, na verdade, pode existir em qualquer lugar, e espero que possa chegar a outros pontos da capital a partir deste 28 de novembro de 2010, dia que o Rio de Janeiro começou a escrever uma nova página na sua história. Desejo, realmente, daqui a umas poucas décadas, poder contar a meus filhos e netos que vivi aquele dia, aquela semana naquela cidade. Quero contar a eles para que não tenham que vivenciar esta realidade também e possam alimentar num imaginário distante o que representou a conquista da ordem pública e da democracia.

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