Já viajei algumas vezes para a Amazônia. Sempre para cobrir pautas relacionadas ao meio ambiente. Vou comentar duas destas jornadas:

Em meados da década de 90 estive no Pará, gravando pelo Globo Ecologia no lago da hidrelétrica de Tucuruí. A matéria mostrava a relação da usina com a comunidade indígena da etnia Parakanã. Nascia o 500º índio da tribo. Durante as gravações, percebi que além das atividades de compensacão ambiental provacadas pelo alagamento de parte das terras indígenas, havia um grande trabalho de exploração de madeira desenvolvido por uma empresa canadense que passava dias e dias no lago da usina retirando espécies que permaneceram por lá depois da subida das águas.  O que mais me impressionou foi que um novo nicho de mercado estava ganhando força e empresários tendo lucros com a retirada de troncos enormes de espécies amazônicas até então submersos. A parafernália era tanta que até uma moto-serra hidráulica era usada para cortar a madeira debaixo d´água.

Na tribo, tudo corria ao redor das festividades da chegada do bebezinho. No entanto, lideranças mais velhas aparentavam preocupação com o entorno da aldeia. Não retornei ao local depois. Não sei até que ponto a exploração de madeira, um dos grandes problemas da Amazônia, permaneceu no lago da usina, onde as árvores já condenadas estavam gerando lucros. Espero ainda que a política de compensação e o diálogo com os índios Parakanã estejam se desenvolvendo bem. Francamente, não sei se isto aconteceu.

Outra viagem que fiz recentemente foi a Rondônia. Pelo Canal Futura, visitei o local das obras das novas unidades hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Da mesma maneira, quando conversei com pescadores, seringueiros e moradores da capital Porto Velho, percebi como a falta de informação estava no ar. Muitos não faziam ideia de fato do que representam investimentos como este na Amazônia. Sabiam que as usinas seriam construídas e só. Algums moradores ribeirinhos estavam mais informados. Isto porque estavam na rota do novo lago que será criado e receberam a triste notícia de que seriam obrigados a se mudar.

Hoje, converso no  estúdio com Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace. Aos interessados em saber  como a nossa matriz energética baseada na exploração de recursos hídricos gera impactos nas comunidades tradicionais da Amazônia, vale conferir o bate-papo.

A entrevista começa, ao vivo, às 15h45 no Conexão Futura. Depois é só procurar no You Tube e no Facebook.

 

Até