Eram duas e vinte da tarde quando o meu celular tocou. Do outro lado da linha, o chefe.

– Zé, acho que você vai ter que fazer alguma coisa que não vai gostar.

De pronto, pensei. “Dancei. Vou ter que cobrir um daqueles eventos políticos, chapa-branca, só para manter as boas relações institucionais necessárias em qualquer ambiente de trabalho. Sem pestanejar. Não vai dar tempo nem para tomar um café”

Antes fosse. Sairia com a equipe e retornaria no final da tarde.

Que nada. A missão era para ser resolvida nos próximos 10 minutos e o relógio estava contando.

Explico. Às duas e meia daquela mesma tarde entraria no ar um programa que acabava de ser lançado. A apresentadora titular estava passando mal, sem condições de enfrentar as luzes do estúdio.

– Sem problemas, chefe. Estou a caminho.

Como uma bala, cruzei a redação, desci os três andares pela escada, mais a garagem e me deparei na portaria do prédio sem condução para me levar ao estúdio, que fica no mesmo bairro, só que uns 700 metros adiante.

Quando passa Fernando, o motoboy-tricolor-bom-de-bola que está sempre de plantão para as tarefas mais penosas. Mal sabia ele que estava de frente para mais uma delas.

14h23. Sentei na garupa da sua possante e partimos em direção ao estúdio.

Com uma larga experiência de quem só havia andado de moto duas vezes na vida – uma em Cabo Frio, durante as férias de verão em que mal conseguia ficar de pé numa mobilete de um colega de rua e outra em Parintins-AM, quando gravava pelo Globo Ecologia na terra do Boi – me segurei como pude.

Durante o voo pelas esquinas do Rio Comprido não tive tempo sequer de aproveitar o serviço de bordo. “Vamos ser parados por uma blitz e estou sem capacete.”  Pensava.

14H26. Pouso autorizado e aterrisamos no estúdio.

Meu cabelo neste momento lembrava o dos garotos do Santos, Neymar e Cia.

Restavam poucos minutos e a entrada ao vivo estava marcada para 14h32.

Foi o tempo de passar os olhos no texto, trocar uma ideia com o diretor, vestir uma camisa e entrar em cena.

No fim, retomar o fôlego foi o mais difícil. De resto, com alguns percalsos, missão cumprida.

Vida que segue.