Voltei à fazenda do Bonito neste fim de semana. Foi a oitava vez que estive no local e, sempre que volto, fico feliz. É um lugar mágico, onde tudo remonta ao passado, desde a logística até a lareira, passando pela leitura indispensável do livro com os relatos dos visitantes que por ali passam há 122 anos.

 

Desta vez fomos eu, Sabrina, Ricardo Menezes e Farofa. Encontramos desafios logo na subida. Carro atolado uma meia dúzia de vezes e na última foi preciso chamar resgate. Longa caminhada e socorro de imediato. É impressionante como o espírito de solidariedade impera no campo. Talvez algo que nos ensine a cada dia  que não é preciso ter muito para ter uma vida muito boa.

Acredito ser esta a razão que me arrasta todos os anos ao Parque Nacional da Serra da Bocaina. Uma vontade incontrolável de desligamento do meio urbano. Adeus ao celular, à TV, à internet e um convite ao diálogo, ao convívio com as coisas simples como um belo café da manhã regado a leite com torradas no fogão à lenha ou ainda a um bate papo na beira da porteira com uma criança que, imaginem, sonha em sair dali para conhecer o mundo. Desejo legítimo, que revela a simplicidade local.

Por todos os lados o que se faz é nada. E isso é maravilhoso. Caminhar, sentir o cheiro da terra batida, o frio dos rios Bonito e Mambucaba, ouvir o barulho da mata – às vezes ele até assusta, mas faz parte. Estar ao lado dos cachorros é sempre um motivo de alegria. Até quando falta luz, como desta vez, fica tudo bem. Lampiões à gás estão sempre por perto. E a paisagem??  Olhar aquela imensidão de araucárias traz uma sensação tão boa que vale à pena fechar os olhos por alguns instantes. Sentimento de liberdade.

Ao entardecer, os estalos da lareira reúnem o grupo em cadeiras de balanço. Conversas intermináveis. Dá para imaginar fazer isso com todo o entretenimento da cidade grande? Impossível! O fogo é hipnotizante e funciona como televisão. A cada meia hora alguém se prontifica a colocar mais lenha na fogueira e no papo, e ainda trazer uma nova garrafa de vinho. Prazer que entorpece…

Eureca!!! A fazenda do Bonito é um vício! Como não pensei nisso antes??

 

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