Ontem foi a noite mais animada em Brejinhos-BA.

Ao cair da tarde, sertanejos chegavam de todo o lugar. De carona, à pé, na boléia do caminhão, de bicicleta ou ainda em carroças famílias inteiras marcaram encontro na beira da BR-242, que liga Salvador ao oeste do estado da Bahia. 

Cheiro de terra batida. O calor do dia dava lugar ao frescor da noite que se aproximava. Crianças corriam por todo lado e logo apontaram o local onde a multidão se aglomerava. Era a casa de número 12.  Em poucos minutos a comunidade de Várzea Alegre – onde estão acontecendo as oficinas do projeto Cartografia Social – fez jus ao nome. O som de sanfona confirma o início da festa. É o reisado, manifestação cultural tradicional no Sertão nordestino. Na Bahia ele é marcado pela batalha de rimas, conhecida com o chula.

 

A garrafa de pinga circula de mão em mão. “Pra compensar o trabalho duro na caatinga durante o dia, só com uma lapada de cana pra aguentar o ritmo do reizado”, diz dona Elza, uma das entusiastas do grupo. Homens e mulheres teem papéis distintos na festa. Enquanto elas ditam o ritmo puxando as letras em forma de roda, eles desafiam uns aos outros com rimas improvisadas. “Numa noite de fartura eu preso homenagem ao repórter do Futura”, embalou João Nogueira, com o triângulo em mãos.

E foi assim noite adentro. Para a minha felicidade, trabalho com um equipamento de filmagem que tem melhor rendimento à luz do dia.  Fim deste ato e um gole de pinga que, por tradição, é obrigatório aos visitantes.

 

Até!