Em menos de dois dias na Bahia já rodei mais de 1.200km pelas estradas da caatinga. Em Salvador, encontrei com Franklin de Carvalho, cientista social e antropólogo que realiza estudos sobre as comunidades de fundo de pasto no Brasil. Franklin serviu de referência para elaboração das pautas da reportagem e vem atuando ao meu lado na abordagem junto aos moradores.  Completando a equipe, Roberto Fernandes, mobilizador comunitário do Canal Futura e Orly Passos, motorista boa praça  que é o clone de Amado Batista.

No sertão, muita estrada ruim e paisagens maravilhosas.  Nos pequenos povoados, sombrinhas coloridas traduziam o calor do nordeste.  De cidade em cidade chegamos a Senhor do Bonfim. Lá conversei com lideranças locais. Os diretores das associações de fundos de pasto foram muito gentis e passaram a tarde contando estórias daquela região.

 

Da esq. pra dir.: Tânia, Antônio, o menino Jadson, Evaneide e Manoel

 

Uma comunidade de fundo de pasto é caracterizada por unir grupos de famílias que vivem do uso comum dos recursos naturais. Normalmente, estão localizadas, adivinhem… no fundo de grandes pastagens.  Vivem da criação de bodes e do cultivo de frutas como o Umbu. Sob uma destas sombras, conversei com a família Araújo. “O que a gente precisa é de mais atenção do Governo. Só lembram da gente em época de seca pra falar mal do Sertão” afirma Tânia Araújo, moradora de uma comunidade no município de Jaguarari.

O motivo da reportagem é mostrar a capacidade de articulação destes grupos a partir de um projeto que une os conhecimentos tradicionais do sertanejo à tecnologia. Com papel e lápis nas mãos, moradores desenham o que entendem pelo ambiente em que vivem. Com máquinas fotográcias e aparelhos de monitoramento geográfico, pesquisadores auxiliam os grupos na elaboração de novos mapas. Estes mapas servirão de base para o argumento das lideranças comunitárias na esfera pública, a fim de buscar o desenvolvimento humano e o reconhecimento de direitos do povo de fundos de pasto.  É a cartografia social.

 

Mais informações no twitter em @JOSEBRITOCUNHA e @canalfutura