Fotos da cobertura que fiz em São Luiz do Paraitinga – SP para o Canal Futura. Ficamos 4 dias na cidade. Ao lado do cinegrafista Tiago Tolentino e do técnico de som Ricardo Conque, percorremos ruas e ladeiras em busca de personagens para a matéria. Conversamos com gente de todo tipo;  moradores, engenheiros, historiadores, guias de turismo, comerciantes, padres… 

O fato é que toda a cidade está em ruinas. Apesar de não ter ocorrido nenhuma morte, o prejuizo foi incalculável. Mais de 80% dos casarões do Século XVIII e XIX foram abaixo. Duas das principais igrejas da cidade despencaram. No entanto, se por um lado a cena é triste, por outro, dá gosto de ver o empenho de moradores e visitantes que vieram ajudar na reconstrução do município. 

  

 

 

 

Munidos de galochas, copos d´água e muita disposição, entramos no Barão Hotel. A água alcançou o segundo andar do casarão e, por pouco, não chegou ao terceiro. Os donos – dois irmãoes de Taubaté – usavam rodos para escoar a água, jogavam restos de comida, pedaços de madeira e roupas pela janela. Nas ruas, outros moradores faziam o mesmo. Logo, um forte odor de lixo tomou conta da cidade. Tratores e caminhões passavam de um lado para o outro. A polícia tentava organizar a confusão com barreiras nos acessos ao centro histórico. Muitos voluntários chegavam de todo o lugar. Uma tenda na Praça Oswaldo Cruz chamava atenção. Era o ponto de encontro dos guias de turismo. Foram eles que ajudaram no resgate dos moradores na manhã do primeiro dia de 2010. Com botes infláveis e água 11 metros acima do nível normal, a turma salvou todo mundo que permaneceu nos casarões, inclusive cães e gatos. A tromba d´água que atingiu o município se formou em Cunha, cidade localizada acima de São Luiz. O alto índice de chuvas ao longo do rio Paraitinga aumentou a força da água e, por tabela, os estragos.

 

 

 

São Luiz do Paraitinga estava prestes a receber o título de sítio do patrimônio histórico nacional, oferecido pelo IPHAN, mas terá que adiar os planos dada a tragédia. Os moradores estão preocupados. Basicamente, toda a cidade vive de atividades relacionadas ao turismo. Do artesão ao dono de pousada, passando pelo garçom do restaurante e o dono do comércio da esquina, do contador de estórias ao carnavalesco que criou o bloco Juca Teles, que anima há mais de 30 anos – e ao som de marchinhas – o carnaval de lá. 

 Bom, pelo que vi e ouvi, São Luis terá muito trabalho pela frente, mas acredito que, em situações como esta, a própria história se torna aliada na conquista de novos desafios, afinal, não faltam exemplos de cidades que foram devastadas por catástrofes e hoje são destinos turísticos cobiçados no mundo inteiro. 

A reportagem especial que fiz comecará a ser exibida a partir desta terça-feira no Jornal Futura. Horários: 12h e reprise às 17h. Em breve, uma edição do Sala de Notícias completará o trabalho. 

Pretendo voltar ao Vale do Paraíba no Carnaval de 2011 para participar de uma das maiores festas populares do interior de São Paulo e mostrar que o tempo é capaz de trazer de volta alegria e paz. Até! 

 

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