Está chegando a hora. Mais uma vez. Na verdade, a hora já passou e a humanidade segue buscando alternativas para garantir melhores condições de vida para daqui 20, 50, 70 anos ou mais. O fato é que a preocupação com o aquecimento global entre sociedade e governos chegou ao limite e ações são necessárias a curtíssimo prazo. Caso contrário, as mudanças – cada vez mais perceptíveis ao cidadão comum – serão radicais. 

Já imaginaram a Floresta Amazônica, a maior referência em biodiversidade, quantidade de água doce, madeira e outros recursos fundamentais para o desenvolvimento humano, já imaginaram esta imensa floresta com o aspecto de um Cerradão? Para se ter uma idéia do que realmente pode acontecer com o aquecimento do Planeta é preciso entender a cadeia de produção de bens e serviços.

Por exemplo: apagão por falta de chuvas; escassez de pescado por seca de rios; enchentes por aumento de chuvas; aumento do preço dos alimentos por perda de safras; queda no fornecimento de água por, novamente, escassez de chuvas; aumento no preço do leite porque a vaquinha do Mato Grosso está passando fome com o pasto seco – o mesmo vale para a carne do gado de corte no Rio Grande do Sul; lotação nos hospitais porque o mosquitinho que transmite a malária e outras efermidades tropicais no Noroeste da África teve que mudar de endereço com o aumento da temperatura local, resultado: vai picar gente em outros países; desemprego porque os pequenos trabalhadores rurais, cada vez mais, terão que procurar alternativas para competir com as grandes plantações de soja que devastam a floresta ; trânsito lento na volta pra casa porque, ao invés de incentivar iniciativas ecologicamente corretas, o governo reduz o IPI e todo mundo compra carro e não anda de metrô – o mesmo vale para a farra na redução do IPI para outros itens da indústria, como plástico, metal, madeira… tudo poderia ter isenção fiscal, mas a isenção fiscal para modelos sustentáveis nos mesmos ramos deveria ser muito maior…

 

O Barack vai a Copenhage anunciar o compromisso americano – diga-se de passagem, inédito – em reduzir em até 17% as emissões de poluentes nos Estados Unidos. O Brasil, com sua nova tropa de elite eleitoral encabeçada por Dilmão, também anunciará o compromisso de reduzir, voluntariamente, as emissões de CO2. Digo, voluntariamente, uma vez que, segundo o Tratado de Kyoto, países em desenvolvimento não possuem metas oficiais de redução de poluentes. Este compromisso cabe aos países ditos desenvolvidos – e que se desenvolveram cortando florestas e poluindo no passado.

 

Enfim, está mais do que na hora de mudar padrões de consumo e produção. Isso vale para a indústria e para nós. Para encerrar, mais um exemplo. Não gosto de parafrasear políticos, mas ouvindo ontem uma declaração do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sobre a poluição da cidade, sou obrigado a tentar. Ele disse que vai suspender, de surpresa, o serviço de coleta de lixo na orla e no centro da cidade por um dia. Só para mostrar ao carioca como é que a cidade fica suja com a falta de educação do povo. Imaginem se a Natureza resolve tomar medida semelhante e, com as devidas proporções, com o clima do planeta? Não há roteiro em Hollywood capaz de prever tal catástrofe. 

 

A COP-15 é a 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e acontece de 7 a 18 de dezembro deste ano, em Copenhague (Dinamarca).