CHOPP

 

O caçador. Reduto boêmio conhecido aos frequentadores da Praça Afonso Pena, bem pertinho do Maracanã. Local de bom bate-papo após o trabalho. Dizem os mais experientes que o ponto é estratégico para o relacionamento intra-familiar, uma vez que fica de frente pra padaria mais famosa do bairro. Marido competente sabe que chegar em casa com um pão quentinho é sucesso garantido. O problema é que o bom bebedor – personagem clássico e protagonista da evolução (ou não) da espécie humana – tá sempre por perto e nunca perde a hora de uma nova fornada, ou melhor, de um chope geladinho. Na verdade, ele está ali no bar, simplesmente, aguardando as baguetes derraparem pelo balcão. Enquanto isso, nada mais justo do que saborear uma tulipa recheada e com dois dedos no colarinho. Em casa, mulher e  crianças aguardam o pão quentinho para o lanche da noite. No bar, o cidadão fica de olho no movimento – que fique claro, no movimento da padaria, atrás do balcão, naquele canto entre o padeiro e o buraco na parede por onde passam 50 franceses. “Cadê o pão, seu José?”  Pois é, a boemia é ingrata. Naquela fila que mais parece dia de pagamento no banco em início de mês, o fiel marido toma, um, dois, três… dez chopes e nada do pão.  Na verdade, enquanto espera, os amigos que retornam da dura jornada de trabalho passam e, em solidariedade ao cabra da peste, permanecem no bar para fazer companhia. “Rapaz, eu já tô aqui há uns 40 minutos, perdão, 1h e 40 minutos, para ser mais preciso, e acho que me lasquei. Nada de pão. Desce mais 5, Zito, na pressão!”  Meia hora depois, entre um debate e outro sobre a vida pública, política, mulher e, é claro, futebol, alguém grita: “Ih, a padaria fechou.” Ao sentir aquele nó na garganta quando veio à mente a decepção da mulher e filhos com a falta do pão, eis que o cabra teve uma ideia genial: “Zito, traz uns daqueles sanduíches de filé mignon com fritas. Pra viagem, por favor!” Lascou-se.

sanduba

 

 

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