Ir de carro ao centro do Rio é uma experiência antropológica. Você roda, roda, roda, não acha vagas e se depara com uma faceta cruel da personalidade do ser humano.

Crueldade da parte de quem resolveu ir de carro, de quem oferece vagas a preços exorbitantes, daqueles que permitiram a entrada de uma quantidade absurda de ônibus, táxis e veículos como o meu, que não deveriam estar lá, enfim, o mundo sobre quatro rodas é muito cruel.

 

AV RIO BRANCO 2

Quando paro no Largo da Cinelândia e observo o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional fico pensando como o Rio de Janeiro seria melhor se tivesse preservado o centro da cidade. Entendo que na época do prefeito Pereira Passos – no início do Século passado – o desenvolvimento era prioridade e o Rio queria se transformar numa Paris dos Trópicos. Uma vez, conversando com o jornalista e escritor Zuenir Ventura, ele dizia a mesma coisa: “o Rio queria trazer os Boulevards franceses no melhor estilo Art Déco para a Avenida Rio Branco”.

Pois bem. Nas décadas de 1910 e 1920 até que a Rio Branco deve ter conquistado seus dias glória, com aquela aprazível “via de pedestres”, onde a sociedade ia se encontrar e ver as novidades, entre elas os poucos automóveis – lembram dos primeios modelos Ford? Bons tempos que não vivi.

Passada a nostalgia, vamos em frente. Agora, nasce um projeto de revitalização do centro do Rio. Há mudanças previstas para a Zona Portuária, com a criação de museus como  o Museu do Amanhã – projeto em parceria entre o poder público e a Fundação Roberto Marinho – neste caso, a demolição de parte do Elevado da Perimetral é um dos grandes trunfos da iniciativa. Quanto à principal avenida do centro do Rio, estuda-se fechar o acesso de veículos da Presidente Vargas até a Cineândia.

AV RIO BRANCO

Torço para que estes projetos saiam da gaveta e ajudem o carioca a ter mais qualidade de vida e respeito à história da cidade maravilhosa.

Anúncios