– Acorda, meu filho, vai começar a corrida…

Quando era moleque, um dos momentos mais aguardados durante toda a semana era aquele que precedia uma corrida de Fórmula-1. A paixão pelos carrinhos é natural ao universo masculino em qualquer idade. Comigo, não foi diferente.

Esta semana, recebi do meu pai a notícia do acidente com o piloto brasileiro Felipe Massa. O serviço de informações esportivas é uma prática comum entre os homens da família e funciona muito bem, principalmente com os jogos do Flamengo,  quando eu, meu irmão mais velho e meu pai formamos uma espécie de call center esportivo constantemente atualizado… mas enfim, no caso do Massa, depois de ver e rever as imagens na TV, não houve como esquecer o acidente com aquele que, para mim, foi o único ídolo que eu tive no esporte – Ayrton Senna.

O filme daquele final de semana negro em Ímola, na Itália en 1994, passou por um instante em minha mente. Na época, o Brasil perdia o que pra mim foi o maior piloto de Fórmula-1 de todos os tempos e ainda assistiu a outro acidente com o brasileiro Rubens Barrichello e a morte do austríaco Roland Ratzemberger.

Me lembro que, aos 16 anos, chorei como uma criança e por dias e dias fiquei frustado ao perceber que assistir corridas nas manhãs de domingo não era mais a mesma coisa. Gosto do esporte e jamais deixarei de acompanhar, mas com a evolução tecnológica, a supremacia de uma alemão chamado Michael Schummacher e ainda pela ausência de nomes fortes no automobilismo brasileiro, confesso que por anos acompanhei o esporte sem aquele prazer da torcida e, sim, pela paixão pelo automobilismo.

O sentimento de angústia veio à tona esta semana. Torço, como muitos, pela recuperação do Felipe Massa. Não gostaria de ter que torcer desta maneira, pela vida mas, na minha opinião, ele representa agora – e com toda a dignidade –  a posição de um ídolo. Ídolo capaz de confrontar oponentes mesmo dentro da sua própria equipe. Ídolo que impõe medo aos adversários, estando ou não com um carro competitivo. Ídolo que mostrou ao Brasil no ano passado, em Interlagos, que corrida se ganha na pista e que não merece, de forma alguma, ter a carreira abreviada por culpa de terceiros.

No entanto, para falar de um ídolo, nada melhor do que lembrar outro. Segue abaixo um dos espetáculos de Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna  do Brasil!!!

Aquela primeira volta em Donington Park, em 1993.