bonde

 

Mais um conto de bonde. Desta vez foi com amigos de longa data. Era hora do almoço.

– Vamu logo que o bonde tá passando!

Parado na linha, subimos. Não estava muito cheio. Sentamos e seguimos em direção ao Largo dos Guimarães.

Durante a descida, a cidade baixa passa ao largo. 

– Filé acebolado, arroz e salada. E um suco de laranja, por favor.

Na volta, com o bucho cheio, pegamos o bonde andando. Erro grave.

– Dizem que se pegar andando, não paga.

– Beleza.

Passados 10 minutos, estávamos de novo na porta do trabalho. Para o nosso azar, o motorneiro não tinha motivos para desacelerar o veículo sobre trilhos. Éramos três e, como manda o manual do homem, ninguém queria dar o braço a torcer e pedir ao digníssimo uma parada.

Fui o primeiro a conseguir descer. A uns 200 metros do nosso destino. Elvis foi o segundo, já depois da curva que ficava a exatos 550 metros e 32 centímetros do nosso ponto de partida.  E olha que o rapaz se viu obrigado a dar 25 passadas bem largas, necessárias para não estatelar o nariz no chão. Sabe como é: desceu do bonde e não correu, o nariz no asfalto meteu.

Bom, quando eu e Elvis já tomávamos um cafezinho no trabalho, pensamos:

– O Barros não vai conseguir. E se conseguir vai ter que pegar outro bonde pra voltar, de tão longe que irá descer.

Dez minutos correram no relógio. O café sumiu do bule e o interfone toca.

– Caramba! Aquele filé com cebola não caiu bem, mas eu caí direitinho.

 

O caso me veio à memória numa visita recente que fiz ao bairro de Santa Teresa.

Sem mais, até!