passando informações a turistas no bonde

Este aí acima, na foto, é Seu Pedro, chef de cozinha radicado em Lisboa, com quem conversei durante um passeio de bonde em uma manhã de domingo. 

 

– Es de onde?

– Sou do Rio de Janeiro. E o senhor?

– Meu filho, sempre que encontro um brasileiro por aqui, pergunto logo de onde é e fico ansioso pela resposta, mas ninguém é da minha terra.

– De onde o senhor vem?

– Do Recife. Estou aqui há 22 anos e posso lhe dizer que já rodei este mundo.  Passei pelo Canadá, Holanda, Espanha, Inglaterra… trabalhei até em um fábrica de giz nos Estados Unidos. (pausa) Este aqui é o caminho para Alfama, um dos bairros mais bonitos de Lisboa.

– O Castelo de São Jorge fica muito longe?

– Vai chegar daqui a pouco. E estes aí que estão consigo, são legalizados?

– Aquela ali na frente é a minha mulher. Estes são meus amigos. Moram aqui em Lisboa.

– Trabalham com o quê?

– Comunicação. 

– A ié? Muito espertos. Quem não sabe se comunicar não chega a lugar algum. Veja o meu caso: pedi um emprego como auxiliar de estoque e fui parar na cozinha.  (pausa) Olhe, olhe, daqui de cima já deve dá pra ver o castelo. 

– Acha que já podemos descer?

– Não. Ainda não. Só mais um bocadinho, oupa.

– Ok.

– Lisboa é um local muito bom de se viver.

– O senhor não pretende voltar um dia para o Brasil?

– A minha vida agora está aqui. Na verdade, o que restou dela. Estou com 74 anos. (pausa)

– E está muito bem. O sotaque já é português.

(sorrisos…) O meu passatempo aos domingos é pegar o bonde. Posso ficar o dia inteiro aqui sentado. Aproveito pra conversar com quem vem de fora. É bom pra cabeça.

– O senhor mora sozinho?

– Nunca estarei sozinho, meu filho. Olhe ao redor…

 

  E o bonde chegou no castelo.

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